quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Para mulheres e crianças

Mais dois títulos deste ano, que não consegui ver no cinema e não pude deixar de alugar na minha locadora querida: Ponyo, a última obra de arte do Miyazaki, e The Runaways, sobre a banda de mulheres dos anos 70.

Ponyo – uma amizade que veio do mar (2010)

ponyo2As animações de Hayao Miyazaki sempre impressionam pela beleza: ele ainda desenha à mão e seus cenários parecem saídos de telas de aquarela, com cores suaves e traços aparentes de pincel. Nos transportamos imediatamente à nossa infância (pelo menos quem nasceu até meados dos anos 90, quando ainda não havia Toy Story).

Como não assisti ao Meu VizinhoTotoro, maior clássico do diretor japonês, não tenho lá muito direito de situar Ponyo entre as outras obras. Mas, comparando com Viagem de Chihiro (o primeiro que estourou no Brasil, antes de O Castelo Animado, que não vi), Ponyo é bem menos sombrio e fala a língua das crianças.

Não que não agrade aos adultos: achei lindo e minha mãe amou. Mas talvez não faça o tipo de um homem mais prático, fã de Rambo... É um filme sensível. (Nota: eu gosto de Rambo, mas sou mulher né…a gente é flexível).

A história gira em torno de dois personagens: um menino de 5 anos, Sosuke, filho de uma enfermeira (que cuida de idosos, coisa bonita da cultura oriental) e um marinheiro; e uma peixinha, que ele apelida de Ponyo e que se transforma numa menina de também 5 anos. O problema é que, ao se transformar, Ponyo acaba causando um rebuliço entre os peixes e liberando uma espécie de energia, que seu pai guardava para transformar o mundo num grande oceano da era cenozóica! O resultado é que as águas ficam violentas e cheias de animais pré-históricos, inundando toda a costa.

Quando digo que fala como as crianças, é porque a narrativa é livre e não parece obedecer a nenhuma lógica que não uma imaginação inocente: o mar é um universo fantástico onde vivem peixes com cara de gente; o dono dos peixes é um homem casado com a deusa do amor; a cidade é inundada, mas todos ficam num lugar seguro (para que inundar então? Coisa de criança…que planeja o desastre, mas depois se lembra de que todos precisam estar reunidos no grand finale).

Algumas coisas não são explicadas, outras são até demais. Não há espaço para mistério… Mas, apesar disso tudo, Ponyo é um filme lindíssimo que rende até algumas risadas. O comportamento das crianças é tão perfeito que a história até parece ficar em segundo plano, às vezes, para podermos observar cada detalhe.

Conclusão: é um filme infantil, mas ganha pela beleza.

 

The Runaways – garotas do rock (2010)

The-Runaways-Movie-Stills-kristen-stewart-10013118-600-399Kristen Stewart e Dakota Fanning. Bella, de Crepúsculo (ou a menina do Quarto do Pânico) e a minúscula Lucy, de I am Sam… Não é à toa que The Runaways até foi falado antes de ir aos cinemas, mas foi logo seguido de um silêncio absoluto e de uma passagem curta e tímida pelas telonas.

Um filme sobre a primeira banda de punk rock feminina não seria nada novo, se sua principal compositora não fosse lésbica. E justamente uma lésbica interpretada pela mesma atriz que interpreta a romântica e feminina personagem da saga milionária Crepúsculo…Saga que ainda não terminou, o que nos leva a pensar que uma imagem tão masculina da sua heroína poderia não ser muito desejada pelos produtores… Mas, seja qual for a razão que levou a mídia a de repente esquecer este filme, ele é apenas mais um filme sobre a ascensão e a queda de uma banda.

Joan (Kristen) é uma rockeira de coração: quer aprender a tocar guitarra e comprar jaquetas de couro, mas ouve de todos os lados que “isso não é para mulheres”. Cherrie (Dakota) é uma menina de classe média que ouve David Bowie e gosta de chocar (ela corta os próprios cabelos e pinta o rosto para uma apresentação do colégio). Joan tem a ideia de montar uma banda de garotas, e pede ajuda para o produtor musical Kim Fowley. Ele, então, é responsável por juntar as meninas (as outras três são meras coadjuvantes no filme) e “ensiná-las” a ter a atitude rock n’ roll. Irrita muito quando ele repete insistentemente que é preciso “pensar como um homem, agir como um homem, cantar sobre o que os homens gostam”. Mesmo assim, elas estouram e vão para uma turnê no Japão.

A história é real e as músicas são realmente boas. Joan Jett continuou sua carreira solo depois que a banda se desmanchou, e não teve grandes problemas com isso. Cherrie (vocalista) era mais a cara e a postura, Joan era a artista. A interpretação das duas está perfeita, e você consegue imaginá-las facilmente vivendo nos anos 70 e querendo ser adultas e famosas.

Kristen parece mais à vontade aqui do que em Crepúsculo (aquela cada de “o que diabos estou fazendo aqui?” finalmente desaparece) e Dakota claramente amadureceu como atriz. Não ficamos imaginando a criancinha que ela foi, mas acreditamos na personagem contraditória que ela representa, que é ao mesmo tempo a luz e as trevas para a banda.

Conclusão: para mulheres rockeiras.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Enfrentando fantasmas

Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)

shutter island

“O que é pior? Viver como um monstro ou morrer como um homem bom?”

Leonardo DiCaprio fez o que todo galã gostaria de ter feito: parou, pensou e aprendeu a escolher tão bem seus filmes que se tornou o queridinho de ninguém menos que Martin Scorcese. Para quem detestava o loirinho de Titanic, agora não dá para negar que DiCaprio é um dos melhores atores jovens de Hollywood, especialmente para filmes policiais/de suspense.

Depois do romance adocicado no começo da tarde, “Ilha do Medo” não desceu tão fácil. Apesar de não ser um terror cheio de sustos e rostos desfigurados como se poderia esperar pelo título, dá para sair desconcertado. “Ilha” é um suspense psicológico, que discute mais uma vez a questão da loucura (lembra a Ilha do Dr. Moreau no começo, depois O Alienista, depois Clube da Luta), assunto sempre delicado.

Os detetives federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) são chamados para encontrar uma paciente fugitiva na ilha onde ficam presos criminosos perigosos com problemas mentais. Isso na década de 50, quando as guerras ainda estavam na memória e no imaginário de todos os personagens. Lá, Teddy passa a suspeitar que o governo americano esteja realizando experiências cirúrgicas com os pacientes, na linha do que os nazistas teriam feito com judeus e outras minorias – coisa que Teddy tinha lutado para combater.

Se você prestar atenção, o filme não é difícil. O final parece deixar uma dúvida, mas na verdade é bem claro. É só querer acreditar, já que Scorcese não nos dá o final que queremos e pelo qual torcemos o filme todo. A resposta que ele dá é a mais racional, enquanto a que queremos é sobrenatural. Certo ele, não? Desaponta um pouco, mas deixa o filme menos óbvio.

O que fica na cabeça depois, além das imagens das criancinhas mortas e das mulheres enigmáticas, é a possibilidade de pensar a loucura como uma escolha até consciente. Como se pode curar alguém que prefere sua vida imaginada?

Conclusão: tenso, mas não imprevisível.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Romance sem comédia

Cartas para Julieta (Letters to Juliet, 2010)

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Quando fui pegar esse filme na locadora, a atendente me disse que “não se fazem mais romances de verdade, só comédias românticas”. Pois é verdade… E “Cartas para Julieta” é um sobrevivente.

Sophie (Amanda Seyfried, a da foto) é uma “checadora” de informações, algo como uma assistente de escritor, que confere dados e encontra os personagens corretos entre uma multidão de “João da Silva”s. Mas ela quer mesmo é ser escritora.

Antes do seu casamento, ela combina uma viagem para Verona com o noivo, Victor (Gael García Bernal), como uma lua-de-mel antecipada, já que ele está abrindo um restaurante e não terá tempo para viajar depois. Já dá para deduzir muita coisa daí…

Lá, ela acaba visitando a “casa da Julieta”, que tem um muro de tijolos (o da foto) onde mulheres de todo o mundo deixam cartas pedindo conselhos amorosos. Ao final do dia, um grupo de italianas as recolhe e as responde. Sophie adora a história e decide escrever sobre ela. E é ajudando a recolher as mensagens que ela encontra uma carta escondida, escrita 50 anos atrás, por Claire (Vanessa Redgrave).

Sem contar mais, a partir daí o filme tem muito do dé-ja-vu típico de filmes românticos, reviravoltas e finais felizes, mas arrisca também alguns “conselhos” para a nossa sociedade moderninha e desacreditada: existe amor verdadeiro e ele não se perde; quem ama presta atenção na pessoa amada e quer ouvir o que ela tem a dizer. Nada mais clichê, mas é saudável.

O que salta aos olhos é que o personagem “errado”, aquele que não consegue tirar os olhos do trabalho e até reverte a situação e se exime da culpa ao dizer que “estava dando espaço para a mulher fazer suas coisas” é o mais parecido com os personagens reais…Tão parecido que assusta! Acho que fica uma dica para todos nós.

Conclusão: para românticos.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Harry Potter - quase o fim


Como boa fã da série, não pude deixar de reservar um horário tranquilo do cinema (tipo primeira sessão) pra ver o novo Harry Potter - As relíquias da morte (The Deathly Hallows). Primeira de duas partes do final apoteótico. Sei que muita gente critica qualquer adaptação de livros, mas eu vejo HP como uma homenagem. Assistindo a cada filme, tento me lembrar dos detalhes do livro e ver como eles foram recriados, quais ganharam mais destaque e quais ficaram de fora... Admito, muitas adaptações me irritam, mas esta tem algo de especial. Acho que é mais "permitida" porque a autora está lá, acompanhando tudo.

Mas o segredo do sucesso de Harry Potter no cinema está, em grande parte, na fidelidade dos seus atores. Dos três protagonistas aos muito bem escolhidos coadjuvantes, todos abraçaram a causa e melhoraram espantosamente ao longo dos sete filmes. A impressão que tenho, agora que os livros estão ficando distantes, é a de que alguns atores conseguiram acrescentar traços marcantes aos seus personagens: hoje, quem pensa em "Snape" não consegue dissociar a longilínea figura dos livros da sempre impaciente  "persona" de Alan Rickman. O que dizer, então, do fraquinho Harry que virou um garoto forte, cheio de hormônios? Pois é...

Neste episódio em particular, o trio Harry-Ron-Hermione é o centro de tudo. Nem o famoso castelo de Hogwarts aparece direito, e todos os outros personagens fazem aparições curtas. Mas nem por isso ele perde a graça, afinal, o livro é isso mesmo: uma busca meio sem rumo pelos pedaços do inimigo, e um início de guerra declarada que fará muitas vítimas. Além disso, ele fala bastante da amizade dos três e tem um clima mais melancólico que os anteriores.

Como é um filme dividido em dois, dói o coração a hora que o letreiro começa a subir. Ele acaba no auge, quando você está mais atento e acelerado com o ritmo dos acontecimentos. Começa vibrante, entra em câmera lenta durante as viagens dos três e volta a correr, deixando uma vontade enorme de chegar ao final ou de ler tudo de novo. Mas o final é só em Julho do ano que vem.

Pouco antes de entrar na sessão, ouvi um grupo conversando e um comentário ficou na minha cabeça: este HP faz referências ao nazismo. Pois isso é realmente muito claro no filme, e eu nem imaginava! O Ministério da Magia faz o papel de selecionar "quem é puro sangue" e discretamente eliminar quem não é; produz e publica jornais exaltando as qualidades desses "puro sangues"; funciona como uma linha de montagem em que os funcionários nem têm tempo de pensar sobre o que estão fazendo. São referências pouco profundas, eu sei, mas é mais uma daquelas licenças poéticas do diretor, que não existem (pelo menos não tão abertamente) no livro.

No campo sensorial, a música-tema e os cenários abertos (muitos, neste episódio) ajudam a agarrar o espectador e fazê-lo lembrar de todos os outros HPs, como uma coleção que remete à sua própria história. Mérito de sagas longas, como Batman, Star Wars, 007, essas coisas. Já o figurino é uma atração à parte. Destaque pra Emma/Hermione, que agora já está envolvida até os dentes com o mundo da moda.

Conclusão? Para quem gosta de Harry Potter e para quem gosta de fantasia, HP7 é simplesmente necessário. Só não espere muito da polêmica cena do beijo nu entre Harry e Hermione - tão computadorizado que eles nem precisavam estar ali de verdade.

Porque a Emma é chiquérrima.

domingo, 14 de novembro de 2010

Quarenta mil

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Hoje merece uma pausa no cinema: Norah Jones prometeu e cumpriu seu show gratuito em São Paulo, no Parque da Independência, hoje à tarde.

Para quem, como eu, tinha dúvidas quanto à qualidade de um show gratuito, pode esquecer. O som estava incrível (nítido e alto o suficiente, sem que os instrumentos escondessem a voz), a duração foi ótima (uma hora e meia, mais a abertura) e a organização foi impecável. Mas seria preciso um milagre para acomodar as quase 40 mil pessoas (segundo a UOL) que quiseram ouvir àquele jazz misturado com country que só Norah sabe fazer! Pois, no fim, quase metade ficou para fora.

Sobre a abertura, Jesse Harris era meio desconhecido por aqui, mas conseguiu animar o público com sua simpatia (várias frases em português e bastante humildade). A voz, quase tão fina quanto a do James Blunt, anunciou uma tarde bem à vontade, como foi. Mas o que realmente fez sobrancelhas saltarem foi o percussionista Bill Dobrow: sentado sobre um bumbo (ou algo assim) e com uma baqueta na outra mão (administrando pratos e triângulos), ele foi a banda inteira para Jesse, que tocava a guitarra. Ótimo começo!

Quando Norah entrou, o espaço reservado para o show (que eu, ingenuamente, tinha julgado ser grande demais) já estava lotado e ainda havia fila lá fora. A fila, na verdade, nunca terminou: muitos ficaram lá fora mesmo, pendurados às grades ou atrás do palco, apenas ouvindo a musa. Mas tudo sem violência, muito tranquilo.

As primeiras músicas foram do álbum novo, “The Fall”. O público não cantou junto, mas demorei para descobrir se era por não conhecerem ou por ser um show mais intimista (o que, apesar do tamanho, ele foi). Pois acho que foi um pouco dos dois: em “Don’t Know Why”, a mais famosa por aqui, muita gente cantou – mas só. O clima era mesmo de contemplação, de ouvir um som muito trabalhado (a banda toda tocava mais de um instrumento) e curtir o parque. E por “curtir o parque” incluo até fazer pique-nique com caixa de vinho (caixa, descartável, com uma torneirinha de plástico), queijos cortadinhos e pêras pré-lavadas. Fica a dica! (foram umas moças na minha frente que fizeram isso).

Sobre Norah Jones, nem preciso falar muito: a voz é como no álbum, limpa e rouca, forte e delicada. Sem esforço. Ela, pra minha surpresa, é pequena e parece uma menina! Principalmente agora que cortou o cabelo… Mas é uma mulher muito poderosa: imagine liderar uma banda tão virtuosa como aquela e ainda ser o centro das atenções? Mas, apesar disso, ela parece muito simples. O lado “country” da sua música parece estar nela mesma, no seu jeito de lidar com os colegas (que parecem amigos íntimos) e na sua quase timidez com o público (que diz ter sido o maior para o qual já tocou). Já o lado “jazz” se mostra na sua classe… Ela tem muita classe. Aprendam com ela.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Dois filmes franceses

As Bicicletas de Belleville (2003)

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Um menino órfão é criado pela avó (fofíssima!), que tenta agradá-lo de todas as formas até descobrir sua verdadeira paixão: a bicicleta. A partir daí, o filme faz uma série de sátiras sobre a obsessão dos corredores do Tour de France, comparando-os a verdadeiras máquinas desumanizadas, e também à indústria de entretenimento norte-americana.

A animação francesa tem o charme das ilustrações e a loucura das produções francesas, o que lhe dá um ar bastante estranho, a princípio. Não é todo dia que vemos uma crítica tão ácida ser misturada com passagens nonsense típicas de quadrinhos (o cachorro servindo de roda da van???), como se o simples clima “cult francês” fosse capaz de amarrar tudo. Mas “Bicicletas” estreou bem no festival de Cannes e concorreu ao Oscar em duas categorias (melhor filme de animação e melhor canção original) no seu ano.

A semelhança dos ciclistas com conhecidos meus me faz crer que a crítica é genuína e que há uma mensagem por trás. Mas o que realmente me surpreendeu foi o fato de vários jornais norte-americanos terem se rasgado em elogios à animação, que claramente pinta Disney, Hollywood e MacDonalds como exploradores inescrupulosos das paixões humanas, mostrando-se piores ainda que os já robóticos, porém inofensivos, competidores.

O Escafandro e a Borboleta (2007)

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Prepare as lágrimas. O longa francês, que conta a história do editor da Elle que ficou paralisado após sofrer um derrame, é baseado numa história real. Mais do que isso, é baseado no livro ditado por ele durante sua estadia no hospital, quando ele só tinha o controle sobre seu olho esquerdo.

A doença de Jean-Dominique Bauby ficou conhecida como síndrome de “Locked-in” – literalmente, “trancado dentro”. Dentro do próprio corpo, no seu caso, como um escafandro. Mas a mente do editor, considerado um “vegetal” por alguns, continuou funcionando perfeitamente, daí o lado da “borboleta”, ou da imaginação, que permitiu que ele continuasse vivendo, se comunicando e que publicasse seu livro.

Os personagens de apoio neste filme são os responsáveis pelo caráter milagroso da história: uma fonoaudióloga que cria um sistema de códigos para sua comunicação, uma esposa traída, porém presente, um pai amoroso, filhos compreensivos, tudo parece até perfeito demais. Mas viver como um paciente não pode ser perfeito. E o diretor não nos deixa esquecer disso, alternando sempre imagens do ponto de vista dos outros, com o ponto de vista de Jean-Dominique, um campo de visão limitado e frequentemente embaçado pelo cansaço ou o choro.

Não é um filme para um sábado à tarde.

domingo, 24 de outubro de 2010

Um filme sobre abandono

Hoje fizemos uma gravação muito dramática sobre uma família que foi abandonada pelo pai: ele foi para o Japão, formou outra família e preferiu esquecer a mulher e os três filhos que tivera no Brasil. E essa história é incrivelmente comum, só mudando o cônjuge que abandona e a quantidade de filhos…

Me lembrei então de um filme que assisti em algum cinema da Paulista há alguns anos:

ninguem-pode-saber-posterNinguém Pode Saber (2004, Japão) – uma mulher solteira decide manter os filhos em casa, em segredo, para ter uma chance com a rígida sociedade japonesa, com o trabalho e com os homens. Eles vivem assim por algum tempo, até que ela começa a preferir a vida inventada àquela de mãe, e vai reconstruindo sua rotina longe dos filhos. Até que não volta mais. Enquanto isso, as crianças vão percebendo a necessidade de se aventurar nas ruas e cuidar umas das outras, agora sem dinheiro e sem conhecimento nenhum do mundo.

Foi um dos filmes mais marcantes que eu vi em muito tempo… Recomendo muito! Mas agora, pense você, isso tudo pode ser verdade pra muita gente… Faz pensar.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Uma guerra por dia

Não vou negar, sou fã de Tropa de Elite. E, paradoxalmente, sou contra qualquer tipo de violência e de guerra. 
Acontece que a voz de Wagner Moura, o Capitão MacGyver-Nascimento (agora coronel), que narra toda a história com um tom controlado, ao mesmo tempo frio e humano, é irresistível.
No primeiro TE, somos apresentados a um BOPE treinado para pressionar, torturar e matar, se necessário, mas sempre em nome de um objetivo. Havia ali uma ética estranha que quase nos convencia, de que bandido é bandido e que com eles vale tudo, desde que se consiga chegar até o mandante e quebrar o esquema do tráfico. O fim era nobre, o problema eram os meios... De ambos os lados.

Neste TE2, a tensão não é mais entre traficantes e o BOPE - os primeiros viram meros coadjuvantes, frágeis até, diante de um poder muito maior. Entram aqui deputados, secretários de segurança pública, um governador e a milícia. Vemos na tela uma transição muito clara entre o domínio do tráfico sobre as comunidades e um novo domínio, político. Os moradores continuam ganhando o que queriam: televisão a cabo, por exemplo, e uma sensação bem vaga de segurança. Mas pagam mais caro por isso. E ainda ajudam a eleger quem os colocou naquela situação... Sim, Padilha está falando diretamente com todos nós.

A novidade, aqui, vem com um personagem chamado Fraga: defensor dos direitos humanos, capaz de negociar com presos e cheio de boas intenções. Ironicamente, ele também quer se eleger deputado, mas sua figura é tão limpa que até parece deslocada naquele meio político. Suas ideias, diametralmente opostas às de Nascimento quando se tratava da realidade nas favelas, acabam se encontrando quando emerge a corrupção de quem estava colocando aqueles traficantes na cadeia. Uma ganância suficiente para enojar os dois.

Se há uma ressalva a fazer ao filme, porém, é o excesso de ficção. Os corruptos parecem vilões de novela, de tão maus, enquanto Nascimento é ainda mais heroico que no primeiro. O filho Rafael, que deveria estar cheio de perguntas mal-respondidas, mágoas e confusões emocionais, apenas abaixa a cabeça e segue o pai ou o padrasto, sem muita distinção. Falta-lhe personalidade. A ex-esposa não aparece muito, mas é coerente.

No fim, a impressão que se tem é a de que Padilha e sua equipe querem acreditar na justiça, nos seus meior burocráticos e legais. Apesar de mostrar um sistema de corrupção vivo e capaz de sobreviver por conta própria, sem um núcleo único que se possa combater, TE2 é otimista. Quem não sai muito otimista do cinema somos nós, espectadores e eleitores...

domingo, 26 de setembro de 2010

Você já foi a um cinema de rua?

Pois apresse-se, que eles estão em extinção!

Hoje à noite, o Gemini exibe sua última sessão, depois de 34 anos de filmes "que ninguém mais quer ver" na região da Paulista. O Belas Artes, para desespero de todos nós, deve ser o próximo. O que há de errado com eles?

Um dia desses, ouvi de uma amiga minha que "ler um livro ou ver um filme são verdadeiras torturas, exigem muita paciência". Pasma, descobri que boa parte dos meus amigos não vão ao cinema há coisa de alguns meses, e não sentem falta nenhuma disso. E essa parece ser a explicação: cada vez menos pessoas têm tempo e disposição para simplesmente "ir ao cinema" - no máximo, elas aproveitam a saída do jantar e das compras para ver um filminho-família. No shopping, é claro.

Nada contra a rede Cinemark ou qualquer outro cinema de shopping. Pelo contrário, acho que facilita muito a nossa vida e permite que a gente veja um filme bem-feito (mesmo que não memorável) toda semana, ou quase. Mas, com excessão de um ou outro shopping mais visionário, a programação é só isso mesmo: filmes divertidos e esquecíveis. E se, nesta semana, você quiser um drama francês mais sensível? Ou uma comédia inglesa, de gosto duvidoso? Ou um filme brasileiro de baixo orçamento, mas criativo? Vai ter que correr, porque eles não duram mais que uma semana em cartaz, se entrarem.

Ir a um cinema de rua é algo que só quem gosta muito vai entender. As paredes são forradas de panos escuros, o chão às vezes é sujinho, as poltronas são antigas, a bilheteria fica quase na rua e a fachada exibe cartazes de filmes que você nem ouviu falar. E, se a intenção é fugir um pouquinho do mundo, as salas nunca estão muito cheias e o público é bem silencioso. Uma vez, tive a chance de assistir a um blockbuster no cine Marabá, antes da reforma. Fui de dia, e só havia eu e alguns amigos, o cinema era nosso. O saguão era enorme, e a sala era muito espaçosa. O som nem era aquelas coisas, mas o orgulho que me sentar numa daquelas poltronas históricas foi inexplicável. Foi muito mais marcante do que se tivéssemos assistido ao mesmo "Homem Aranha" no shopping Santa Cruz, por exemplo.

Voltando ao Gemini, sabemos que a programação andava bem capenga, e as salas não estavam muito bem conservadas. Mas uma reforma resolveria o problema! Já o Belas Artes, não... Está bonito, confortável e a programação é de longe a melhor da cidade, mas falta dinheiro. Me faltam noções de economia para explicar por que um cinema bem sucedido não se paga sozinho, se os ingressos não são tão baratos assim e há um público fiel. E saber que alguns restaurantes tentaram ajudá-lo distribuindo ingressos quase gratuitos também não anima.

O que me dá alguma esperança é que as locadoras pequenas, cheias de raridades e hollywoodianidades em mesma proporção (assim como a 2001, entre as grandes e caras), estão firmes e fortes. Quem sabe a falência da Blockbuster não é um bom presságio...?

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Tragédias em stop-motion

Duas semanas e 11 filmes depois do feriado, a consciência começa a pesar... Foram semanas estranhas, sim, cheias de caras-feias, atrasos e coisas boas mal explicadas, mas não é desculpa, não é mesmo?
Afinal, dos 11, só 3 merecem mesmo algumas linhas de dedicação. Vou falar um pouco do "the best" e indicar os outros para quem se animar! Enjoy:

Mary e Max (2009, Austrália)


Melhor filme do ano (é do ano passado, mas saiu aqui há pouco tempo), sem pensar duas vezes!

Esse longa de animação não tem nada de infantil ou inocente. Ele parte de uma história real, que por si só já é emocionante (a correspondência entre duas pessoas em dois pontos distantes do mundo, por mais de 20 anos), e vai além. Sem meias palavras, somos apresentados a duas vidas dolorosas, que se relacionam por puro acaso e acabam encarando conceitos nada fáceis, como identidade, deficiência, depressão e auto-estima. Apesar disso, não saímos com a sensação de ter levado um soco no estômago... Daí a graça de ser uma animação.

Não faltam tragédias nessa história, mas o que amarra tudo é uma questão quase trivial. Afinal, são duas pessoas com problemas sérios de sociabilidade, tentando compreender um ao outro e a si mesmos. É um caso bastante específico e aparentemente distante, mas ninguém está tão longe assim das dificuldades de comunicação dentro da própria família, da sociedade ou até de si mesmo.

Não vou contar mais para não estragar! Mas é daqueles que até dá vontade de ter em casa...

Também valem uma espiada......:
Invictus (2009, EUA) - sobre o apoio de Nelson Mandela ao time de Rugby oficial da África do Sul, num momento em que os negros associavam o esporte à elite branca. Uma lição de perdão, que vai fazer você amar esse homem!

Reflexões de um Liquidificador (2010, Brasil) - a história de uma família e de um crime, contada do ponto de vista de um eletrodoméstico... Por que não?

domingo, 29 de agosto de 2010

A Origem e o entretenimento puro


O filme mais esperado do ano é um composto de ação, tensão e bons atores _ com um pouco de confusão, para disfarçar. 

"A Origem" tem Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Marion Cotillard e uma infinidade de outros rostos conhecidos, o que garante, no mínimo, algum respeito. DiCaprio tem escolhido muito bem os seus filmes, e já se consolidou como um protagonista de "ação psicológica" (daquelas que você vê pelo corre-corre, mas agradece por ter que pensar um pouquinho).

Mas o barulho em cima de "A Origem" foi desnecessário. Ele não é difícil, não explora profundamente o conceito de sonho e não desafia as concepções filosóficas do espectafor, como fez (na minha suspeita opinião) Matrix no seu tempo. É um filme interessante, que te prende do começo ao fim, mas é apenas um filme com algumas camadas a mais de perseguições e conflitos familiares mastigadinhos (para não desviar o foco do que "realmente" importa, que é a corrida contra o relógio).

Vale pelos atores, pela ideia divertida de criar e recriar cenários e por detalhes, como os "amuletos". Mas não repare na tentativa de "deixar as respostas em aberto" da cena final: é boba e clichê.

Vicky Cristina Barcelona, 500 Dias com Ela e uma ou duas coisas sobre o amor

Primeiro, que ele existe. Segundo, que não é bem como as novelas da Globo ou as comédias de Hollywood querem te fazer acreditar.

No último sábado, aluguei Vicky Cristina sem lembrar que era um filme do Woody Allen (e que ele é meu novo preferido, pelos longos discursos existenciais dos seus personagens neuróticos). Pois aluguei _ Barcelona, Scarlett, Penelope, Javier, não tinha como ser ruim! Me espantou que a Penelope só apareça na metade final e já tenha levado um Oscar, mas vamos ao amor.


Com um cenário desses, era de se esperar uma rede de relacionamentos extremamente sensuais. De fato, juntar três beldades numa espécie de triângulo amoroso bem-sucedido (um ménage sem um casal principal) foi uma jogada infalível, mas não foi de graça. Woody nos faz pensar em como vemos o amor de forma rotulada, e não como um sentimento de bem-estar, complitude, carinho e atração, independente da rotina. Depois, numa virada ainda mais esperta, ele questiona também o ideal de "liberdade", que, tanto quanto o "compromisso", pode não trazer a felicidade perfeita.


Outro filme (muito bonitinho, por sinal) que lança alternativas ao bom e velho amor romântico _ tirando o final _ é 500 Dias com Ela (500 Days of Summer). É uma história de amor, que é ao mesmo tempo uma desilusão amorosa. Tudo porque a garota namora o garoto por motivos diferentes e com expectativas diferentes das que ele tem. Onde termina a amizade e começa o amor? O que é presente e o que é futuro; sentimento ou estilo de vida; vontade ou obrigação? Por que rotular, se estava tudo tão óbvio? Por que não (pelo mesmo motivo)?
No final das contas, é mais gostoso pensar no amor como uma comédia romântica, com começo, meio e, principalmente, o final feliz. Mas pode ser mais prático e até mais divertido (porém um tanto solitário) ver o amor como acaso, como um momento de felicidade vivido por duas (ou mais) pessoas, que é tão eterno quanto o "para sempre", mas que pode durar 500 dias, ou um minuto.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Sandra e Sci Fi

Duas novas dicas pra este feriado: Um Sonho Possível e Distrito 9

Um Sonho Possível: sim, o novo da Sandra Bullock! Aquele que deu a ela o Oscar e que, pra variar, ganhou um título bem pouco digno em português.....(o original é "The Blind Side") 
Bom, a história parece um programa da tarde no SBT, mas é verídica e se passa numa realidade ainda mais extremada que a brasileira: a americana , o que a torna mais interessante e bela.
Personagens? Uma mulher branca, riquíssima e cuja família toda passou pela universidade Ole Miss e a apoia até o momento da trama. Um jovem negro, pobre, grande e pesado, cuja mãe teve mais uma dúzia de filhos, dos quais foi separada por ser viciada em drogas. Uma escola tipicamente americana e cristã, de classe AAA. Ele é aceito na escola, mas se recusa a aprender - porém seu físico é bom demais para o futebol americano, febre nacional. 
Soa piegas? Totalmente! Mas não se enganem, é uma história lindíssima. Deem uma chance.


Distrito 9:
Distrito 9 foi o queridinho dos críticos nessa última temporada do Oscar. Sem atores famosos
(aliás, isso é imprescindível para o filme) e com um diretor estreante (apesar de o produtor ser Peter Jackson), ele é o sonho de qualquer roteirista: mescla documentário e ficção científica com uma perfeição hollywoodiana e ao mesmo tempo com um quê de produção caseira que só vendo para crer! Ana Maria Bahiana (http://anamariabahiana.blog.uol.com.br) o descreveu como "uma mistura de Cidade de Deus com A Mosca (de Cronenberg). Junte uma pitada (bem pequena) de Contatos Imediatos do Terceiro Grau e um eco de Inimigo Meu (Wolfgang Petersen, 1985)", e eu assino embaixo (apesar de não ter assistido ao último).
Distrito 9 é um soco no estômago, um tapa na cara de tudo o que se diz "humanitário". Mas é também uma grande ficção científica, para quem ainda não esqueceu a função fantástica e sonhadora do cinema. Imperdível!

sábado, 13 de março de 2010

Nas alturas

Que "Up in the air" recebeu um nome desrespeitoso no Brasil, isso qualquer cinéfilo já percebeu. Mas não cursta repetir: "Amor sem escalas" NÃO é uma comédia romântica!

Por puro acaso, fui assistir sozinha a esse filme. Justamente a esse, que fala não sobre o amor, mas sobre a solidão! Sorte ou azar, o fato é que me coloquei de corpo inteiro na pele do protagonista e saí de lá com uma sensação de "eu te avisei" nada agradável....  Mesmo assim, recomendo a experiência: o filme é inteligentíssimo! (e sempre vale a pena ver o George, mesmo que num papel meio carente...)

Para resumir a história, George Clooney é um profissional que passa mais de 300 dias por ano voando de uma cidade a outra nos EUA, com a única missão de demitir funcionários de chefes que não querem se dar ao trabalho de dar a má notícia - tudo durante a crise econômica mundial. Duas mulheres completam o cenário: uma (Vera Farmiga) é viajante como ele, e torna-se sua "amante casual" entre aeroportos. Já a outra (Anna Kendrick) é uma recém-formada, que revoluciona a empresa com a ideia de tornar todas as demissões virtuais, por conferência.

O resultado é um filme sobre as relações humanas, sobre o conceito de lar e família e sobre fidelidade. O diretor, Jason Reitman, é o mesmo de Juno e de Obrigado por Fumar - interessante, não?

Vá sozinho!

terça-feira, 9 de março de 2010

Imoral

Final de semana regado a festa, espanhol, dança, teatro, Restaurant Week, corrida e mais festa!!

Pois bem....As festas não são postáveis, o espanhol é só um mal necessário e a dança já é rotina! Então vamos ao teatro:

A Alma Imoral, com Clarice Niskier (baseado no livro homônimo de Nilton Bonder) - Entrei no teatro Eva Herz (mínimo, diga-se de passagem) sem saber o que esperar. O encarte, que deveria nos preparar para o simpático encontro com Clarice, mais nos confundia entre tantos elogios e divagações.
Acontece que o tema de fato não é apetitoso: a atriz parte de um sentimento budista (e é isso que difere a peça do livro) para refletir sobre o judaísmo e sobre filosofias, tradições e as desobediências necessárias. Denso, não?
Pois é preciso muito talento e habilidade com as palavras para transformar o que poderia ser um calhamaço insosso numa conversa íntima e bem-humorada com a plateia, e Clarice consegue. A atriz carioca encanta pela sua sinceridade e também pela coragem - não há quem não estremeça ao ver cair o vestido de pano, em pleno palco minúsculo e suficientemente iluminado. Perto demais, para incomodar mesmo! Para mostrar como nosso "corpo moral" ainda tenta sufocar com todas as forças a "alma imoral" que pulsa dentro de cada um de nós...

Vale um bistrozinho depois para refletir!

sábado, 6 de março de 2010

Pé-de-valsa

(post escrito, esquecido e postado uns dias depois)
Acabou o carnaval, voltaram as aulas, voltou a correria, veio a gripe!

Em outras palavras, vou ficar devendo dicas de cinema até pelo menos o próximo fim-de-semana (quando, por acaso, estreia a Ilha do Medo!). Mas, pra não deixar ninguém na mão, tenho uma dica de DVD, que andei alugando nesses dias vazios: Valsa com Bashir é imperdível.


Valsa com Bashir (2008) tem um Globo de Ouro no currículo e não é para menos. Mas quem diabos é "Bashir"?

Pois bem: Bashir Gemayel foi eleito presidente  (cristão) do Líbano em 1982 e morto no mesmo ano, pouco antes de assumir o poder. Como tudo o que "quase é", ele logo tornou-se um mártir da Guerra do Líbano, que se desenrrolava complicadamente entre crístãos libaneses aliados a Israel, e muçulmanos libaneses aliados mais ou menos aos palestinos, refugiados no sul do país.

Bashir não foi nenhum santo: como o próprio filme mostra a todo momento, a guerra foi marcada por massacres, onde os meninos (porque os soldados eram, realmente, muito novinhos) se viam atirando sem nenhum motivo, por puro medo. Como em todo conflito armado, fica difícil dizer quem está do lado de quem, e homens que se pensavam éticos acabam encobertando crimes cometidos diante de seus olhos.

Um filme para quem gosta de guerra e para quem, como eu, acha que não existe coisa mais estúpida nesse mundo. E para quem gosta de animação, com uma pitada de documentário.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Cultura por todos os lados! (Parte 3)

Agora é a vez da televisão, pra quem ficou em casa no Carnaval!

Desfiles das escolas-de-samba
Não, não é mentira: eu nunca assisti aos desfiles de Carnaval. Nunca nem quis assistir, e só a visão da Globeleza já me tirava do sério! Mas, desta vez, deixei o preconceito de lado e resolvi dar uma chance.

Acontece que, nos meus primeiros semestres de faculdade, eu entrei para a bateria. Toquei caixa por alguns meses e aprendi a gostar de samba - daí ter ficado mais receptiva aos tais desfiles!

Enfim, sentei-me ao sofá nos quatro dias (São Paulo e Rio), para ver as primeiras escolas. Só a primeira e parte da segunda, na verdade, porque sempre caía no sono por essa altura. Não vou comentar uma por uma, mas um amigo meu me pediu que listasse três pontos positivos que eu descobri nessa brincadeira, e aqui estão:

1- Os sambas-enredo, apesar de muito parecidos uns com os outros, contam uma história. Dá pra ver que as escolas realmente se empenham em ensinar alguma coisa a quem assiste, e o desfile todo funciona como uma peça de teatro, com seus atos se encadeando através das alas e os carros sintetizando cada momento.

2- A comissão de frente, eu-leiga-não-sabia, quase sempre interpreta uma coreografia de balé! Achei lindo como linguagens tão diferentes podem se respeitar, criando uma coisa nova!

3- Existe espaço para novidade. A coisa das roupas trocando milagrosamente, dos passistas encenando lutas, touradas ou mesmo uma cachoeira no meio da bateria foi bem bacana.

Pena que, pra mim, é tudo longo demais... E a música, gritada do jeito que é, perde um pouco o sentido.


Finais das duplas de patinação no gelo
E precisa comentar?
Pela primeira vez consegui acompanhar todas as duplas, nos dois últimos dias, e acabei tendo uma ideia muito melhor do que são as técnicas, o que é a dança e o que tira ponto.

Sobre a dupla vencedora, chinesa, acho que sei por que ganharam: além das acrobacias perfeitas, sinto que a mulher tem estilo. Ela dança com o corpo inteiro, de um jeito que nenhuma outra patinadora faz. Ela dança, realmente, parece mole, e elástica, e expressiva, e um tanto contemporânea! Fez toda a diferença.

Cultura por todos os lados! (Parte 2)

Preciosa
Claireece Precious Jones será um ícone.

A versão cinematográfica do drama escrito por Sapphire, mesmo que contida, deixa uma marca. A violência que acompanha toda a vida da pobre, negra e gorda personagem fica apenas sugerida, mas só a sua ideia já revira o estômago, de tão óbvia e verdadeira.

A maior virtude de "Preciosa", porém, não é a tragédia em si (já bem desgastada nas telonas), mas sim a sua solução. O final não é mágico. Este não é um conto de fadas, e muito provavelmente o futuro de Claireece não será feliz.

A grande transformação por que ela passa está na sua própria atitude, que passa de passiva e conformada a ativa e dona de sua vida. Para mim, uma cena resume toda a mensagem do filme: Claireece conta para a professora que aquela é a primeira vez que ela fala em sala-de-aula. Indagada sobre "qual é a sensação", ela responde que se sente "aqui". Presente...

Acho que o recado vale para todos.


Contatos de 4º Grau
Meu primeiro pensamento ao assistir a "Contatos de 4º Grau" foi que Milla Jojovich em nada lembrava a psicóloga Abigail Tyler, sua personagem. A doutora, cujas entrevistas e gravações supostamente originais dividem espaço com as encenações dos atores, é a parte mais assustadora do filme. Seu rosto, longo e permanentemente assustado, com olhos saltados e a boca levemente contorcida, é capturado com uma cor acinzentada, que o torna ainda mais fantasmagórico. Das duas, o espectador deve escolher uma: ou ela foi abduzida, ou é louca. O terror serve para qualquer uma das interpretações - por isso as quatro estrelinhas do filme, no guia...

Para os amantes das teorias alienígenas, o filme é um banquete: sem mostrar um pingo de pele verde, ele lança uma dúvida sobre as visitas, visões e abduções como algo muito tênue entre a loucura e a realidade, intrigando até o mais descrente dos cinéfilos.

A escolha de uma psicóloga para o papel principal também ajuda: as sessões de hipnose praticadas por ela são o mais próximo que chegamos de uma prova "científica" dos acontecimentos, e ainda assim têm um quê de sobrenatural. No fim, cabe mesmo ao espectador escolher: não se pode saber se é realidade, mas também não se pode saber se não é.

Eu já tirei minhas conclusões. E você?


Se Beber, Não Case
Peguei esse filme na locadora com os dois pés atrás. Afinal, ninguém aguenta mais aquelas comédias "de moleque", transbordando álcool, peitos e piadinhas infames de adolescentes que acham lindo ser irresponsável. Nada contra, já vi muito American Pie e dei minhas risadas! Mas cansou...

"Se beber, não case", felizmente, não tem nada disso: é uma comédia de homens, sim, mas mais maduros, que se casam, não se sacaneiam de propósito e nem queriam ter ficado tão chapados assim! E tem sua parcela de bonitões e bonitonas, pra não passar batido... Gostei do começo ao fim!

Cultura por todos os lados! (Parte 1)

Nas ruas: Ano Novo Chinês e Cow Parade
Nos cinemas: Preciosa e Contatos de 4º Grau
No DVD: Se beber, não case
Na televisão: desfiles de Carnaval e patinação no gelo

Tudo a ver? Nada a ver!
Mas foram coisas que animaram minhas últimas semanas e que merecem, no mínimo, algumas linhas.

Ano Novo Chinês na Liberdade

No sábado passado, voltei ao bairro oriental de São Paulo depois de alguns anos de ausência. Sempre fui muito "devota" daquele canto da cidade, mas as faculdades e a falta de uma boa desculpa me afastaram um pouco de lá. Pois a desculpa chegou, na forma do Ano Novo Chinês.

Fui sem saber o que esperar. Sentei-me numa mesa do café Sol para almoçar e logo comecei a ver o movimento ficar cada vez mais intenso do lado de fora. Saí na hora certa: na Galvão Bueno, em frente ao café, já passava o desfile das academias de Kung Fu (maioria esmagadora) e outras artes marciais. Ao fundo, vinha um som de bateria - não de tambores, de bateria mesmo. De escola-de-samba! Vai entender... De qualquer forma, achei bonito.

Na rua, desfilavam dragões tradicionais em várias cores e jovens lutadores, demonstrando alguns movimentos básicos (ou nem tanto). Quando a multidão já se dispersava, e eu mesma já tinha descido alguns quarteirões, ouviu-se o grito do Ano Novo. Corri para ver, mas perdi os fogos-de-artifício e os balões, que peguei apenas num relance. Achei engraçado comemorar a virada do ano assim, debaixo do sol do meio-dia...


Cow Parade


Vacas por todos os lados. Três, apenas na Sumaré! Uma ciclista, uma ecológica e uma cor-de-rosa, toda primaveril. Dentro do shopping Bourbon, minha preferida: a vaquinha Bumba brilha, decorada de lantejoulas e pedras coloridas, peruíssima! Amo.
Dica - veja quase todas as vacas de 2010 aqui:
http://www.cowparade.com.br/galeria.php

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Literárias

Janeiro passou quase sem filmes.

Em compensação, mergulhei durante duas ou três semanas no universo feminista de Stieg Larsson (e sua trilogia Millenium, com títulos imensos) e mais alguns dias no "Admirável Mundo Novo" de Aldous Huxley.

Duas leituras bem diferentes, a começar pelo volume dos livros: a trilogia soma algo como 1800 páginas, enquanto o tímido exemplar de Huxley não passa de 225. Mero detalhe, já que Admirável deu muito mais trabalho que todos os Milleniuns juntos.

O que me faz entender o comentário de uma amiga da faculdade sobre a saga Crepúsculo: "é fast-food literário"!

Sim, "fast-food" porque é fácil, não porque é ruim. É fácil, é sedutor, é Hollywood... Mas não alimenta. Você não sai dali com novas ideias, energias, sentimentos dos mais indesejáveis, nem completamente indefeso ou deslumbrado... Isso seria Arte. Mas, por outro lado, é preciso ser justo: ninguém consegue viver de Arte o tempo todo - é algo que precisa ser digerido, que leva algum tempo e que nem sempre é agradável. Como entretenimento, fast-food é muito melhor.

Agora, voltemos aos Milleniuns... A trilogia conta uma história aceleradíssima e por vezes bastante absurda de investigação e corrupções na Suécia. Por esse lado, é quase um "Duro de Matar", cheio de ação e heroísmo (divertidíssimos, diga-se de passagem!).

Mas a obra de Larsson tem algo de diferente... Primeiro, ela é sensual, mas de um jeito quase crítico: os personagens se envolvem em mil relacionamentos, com homens ou mulheres, conjugais ou extra-conjugais, mas todos sem a menor sombra de culpa ou pecado. São relações menos amarradas, sem grandes intrigas, tudo em pratos limpos - como não se vê por aí, e por isso é tão tentador.

Segundo, ela é extremamente feminista. Mas foi escrita por um homem, e por um jornalista. Dessa mistura, nasce um romance um tanto fetichista (mulheres super independentes, homens irresistíveis, tudo quase James Bond), porém ao mesmo tempo com forte teor de denúncia. Ali, são os abusos (sexuais ou não) contra as mulheres que movem a história, dando ao leitor e principalmente à leitora uma sensação ruim, de revolta. Mas também - e essa é a sua maior qualidade - faz pensar em como tudo aquilo, talvez em outros contextos e outras proporções, é real. E é algo em que não costumamos pensar, de verdade... Me fez mudar alguns conceitos.

Terminada a trilogia e sem muito descanso, tomei emprestado o pequeno Admirável Mundo Novo, que é um daqueles livros que não se pode deixar de ler, e eu já estava passando da hora.

Tive a sorte de pegar uma versão com um prefácio do autor, comentando o que ele gostaria de ter mudado na sua obra e como ele não gostava de ter estereotipado tanto as opções de vida no seu "mundo novo". Tenho que dizer que não concordo com ele.

Uma das virtudes desse livro é justamente o exagero: o fordismo é levado ao extremo e nos colocamos a pensar como seria o mundo se o "bem-estar social" fosse o objetivo máximo de todas as invenções tecnológicas e as políticas públicas. O resultado, aqui, é uma felicidade dopada e um exército de clones perfeitos (mesmo que "perfeito", para a sociedade, seja ter uma parcela de indivíduos fracos e menos inteligentes, e que mesmo os mais brilhantes se comportem como crianças nas horas de lazer).

O mais interessante é que, para criar essa sociedade "moderna", Huxley destrói a noção de família, fazendo crianças nascerem de tubos e casais não serem mais do que diversão (a monogamia e o parentesco são os novos "pecados", são indecentes). Faz pensar...

Para fechar, deixo vocês com um trecho arrepiante, quase no final do livro, que resume toda a mensagem do autor. Divirtam-se!

"_ Mas eu não quero conforto. Quero Deus, quero a poesia, quero o perigo autêntico, quero a liberdade, quero a bondade. Quero o pecado.
_ Em suma _ disse Mustapha Mond _ o senhor reclama o direito de ser infeliz.
_ Pois bem, seja _ retrucou o Selvagem em tom de desafio. _ Eu reclamo o direito de ser infeliz.
_ Sem falar no direito de ficar velho, feio e impotente; no direito de ter sífilis e câncer; no direito de não ter quase nada que comer; no direito de ter piolhos; no direito de viver com a apreensão constante do que poderá acontecer amanhã; no direito de contrair a febre tifóide; no direito de ser torturado por dores indizíveis de toda espécie.
Houve um longo silêncio.
_ Eu os reclamo todos _ disse finalmente o Selvagem."

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Fantasias em 2010

Terça-feira, 12 de janeiro.
Dia de feira (e consequentemente de pastel) em Perdizes.


2009 mal terminou e o primeiro mês de 2010 já está quase na metade! E já teve seus dois primeiros figurões nos cinemas: Avatar e Sherlock Holmes (o segundo bem menos polêmico que o primeiro, mas igualmente ideal para as férias – muita criatividade nos efeitos, pouca na história em si, mas divertidos, daqueles que levam um pouco de fantasia, muito bem-vinda, aos olhos). Qualquer dia comento como Avatar é, para mim, uma união de váaaarias referências e clichês que todos nós conhecemos de cor, mas que soube dosar e por isso deu certo. Além, é claro, de encher os olhos...

Falando em fantasia, um dia desses me deparei com um episódio de Star Wars do qual eu nem me lembrava: o Retorno de Jedi, o VI. Estava passando na tevê aberta, dublado, que é como eu devo ter visto em primeiro lugar, por isso não me importei. Resolvi assistir. Eu, que sempre me lembrava da série como um marco na história do cinema, torci o nariz e me segurei no sofá para não mudar de canal: os monstrinhos que acompanhavam o Jaba, a princesa Léia com roupinhas de amazona e os efeitos precários de movimento (sem contar as óbvias influências de Star Trek nas cenas no espaço) foram um verdadeiro balde de água fria. Mas, depois de alguns minutos, me peguei torcendo para que Luke e Darth Vader se entendessem ou para que Léia e o Harrison Ford ficassem juntos, e ainda fiquei resgatando detalhes dos outros episódios para remontar o quebra-cabeças! Pode parecer bobo, mas fui dormir realizada... Minha fé em George Lucas segue inabalada!

Overdose

No ano marcado pelo brilhante e inesquecível Bastardos Inglórios, dezembro chegou para mim com um desafio: recuperar o tempo perdido com tantos filmes que eu deveria ter visto e não vi! Tanto os de 2009 quanto os mais antigos. É claro que Bastardos não foi um deles..... Mas eram muitos, então fui à locadora e fiz logo um plano de 15. Que vi em 15 dias, mais ou menos. Tire um que eu já tinha assistido (O Leitor, que pareceu muito melhor da segunda vez, mas que ainda acho que se arrasta demais) e outro que não me animei para assistir (Revolucionary Road/Foi Apenas um Sonho), foram 13 boas (ou más) surpresas.

Boas:
A Onda. Comecei com esse filme, baseado em fatos reais, que recria a empolgação nazista/fascista numa sala-de-aula alemã. O professor, anarquista e moderninho, decide simular uma experiência totalitária com seus alunos para provar a eles que aquele cenário não seria tão impossível assim nos dias de hoje. Pois não seria mesmo, e o resultado vai deixando o espectador mais e mais tenso a cada minuto. Vale a pena e faz pensar.

O Som do Coração. Não foi bem uma surpresa, porque eu já esperava um filme assim: lindo (lindo, lindo, lindo!), cheio de poesia e otimismo, sem ser afetado. O elenco conta com Freddie Highmore (o menininho irresistível que fez Em Busca da Terra do Nunca), Jonathan Rhys Myers (o rei sedutor da série The Tudors) e Kerry Russell. Leve um lencinho.

Star Trek. Sim, o novo, foi mesmo uma surpresa. Esperava um filme nostálgico, cheio de homenagens que nós, jovens que não acompanhamos a série, nunca entenderíamos. Mas não é. O filme é empolgante, ágil, inteligente e ao mesmo tempo não ofende nenhum fã das antigas! Aprovado.

A Proposta. Porque ninguém é de ferro e eu precisava de uma comédia romântica! Como fã da Sandra Bullock, nem posso comentar muito, mas recomendo para os fãs do gênero. É engraçado, leve, e o casal funciona muito bem – não irrita e nenhum dos dois faz papel de bobo. Melhorou meu conceito do Ryan Reynolds!

Fome de Viver. Uuuuh esse é bom! Eu tinha assistido havia poucos dias à Bela da Tarde, e quis saber mais sobre Catherine Denéuve, a loira mais blasé do cinema. Pois virei fã: Fome de Viver é um terror inesperado, que começa como um drama e desenvolve uma ideia de vampiro totalmente diferente da que estamos acostumados! É uma Denéuve mais cruel e poderosa, que se alimenta de esperanças e vidas inteiras. A nudez parece bem mais natural do que nos filmes politicamente corretos de hoje e alguns toques de época (macacos enlouquecidos, música punk e sótãos cheios de teias de aranha) dão um charme especial. Se ainda falta um motivo para ver, ainda tem David Bowie e Susan Sarandon novinhos em papéis de destaque!

Dogville. Louco. Simplesmente louco. Daqueles que primeiro te obrigam a abrir a mente com cenários meramente sugeridos (linhas no chão, um ou outro objeto simbólico e atores que não participam da cena sempre à vista), depois te deixam angustiados e revoltados com situações ao mesmo tempo reais e absurdas (e ficamos mais incomodados com a vítima que não reage do que com os agressores, o que não pode ser bom!), e por fim mudam de rumo totalmente, deixando-nos embasbacados e maldosamente maravilhados. Dá o que pensar...

Ensaio Sobre a Cegueira. Boa surpresa. Esperava um filme mais hollywoodiano e mais moralista, mas Meirelles conseguiu pintar com clareza o cenário caótico da obra de Saramago (que eu não li, então posso estar falando besteira). Pelo que acompanhei da produção, o diretor teve que adaptar as cenas de violência mil vezes até ser aceito pela crítica, por isso tiro meu chapéu: a dosagem ficou perfeita. O final não é tão emocionante, mas toda a parte “encarcerada” do filme vale o ingresso.

Blade Runner. Imaginava outro filme completamente diferente! Descobri um “Quinto Elemento” dos anos 80, muito menos óbvio e mais interessante (apesar de eu gostar do QE, admito!). O mal não é tão mau assim, e o futuro tecnológico não é tão perfeito nem tão diferente (note as feiras livres, os prédios abandonados, os mendigos...). O cenário é totalmente punk, e o ritmo é curiosamente lento para uma ficção científica, se pensarmos em Matrix ou Eu, Robô! Sem dúvida, marcou um gênero.

Rock n’ Rolla. Hello, Guy Ritchie! Para quem não conhecia o estilo do diretor, Rock n’ Rolla é exatamente o que diz o nome: sexo (nem tanto), drogas e muuuuita ação, com aquele humor que só rockeiro entende. Algo como um Tarantino mais masculino... E, mais uma vez, Gerard Butler arrasa.


Menos do que eu esperava:
Anticristo. É... Anticristo é bom. Muito bom, até a metade. Ou até o momento em que ele deixa de ser um terror psicológico dramático para se tornar um terror gratuitamente violento (nada contra a automutilação da mulher, mas sim contra a broca -ou algo parecido- na perna do homem, bem Jogos Mortais) com justificativas muito pouco convincentes (hahahá, mulheres são más e ponto final... É só isso?). Trier é bom, mas prefiro Dogville.

Dúvida. Atores excelentes, filme lento. A discussão levantada, sobre a homossexualidade e a pedofilia, é fraca e só atinge mesmo aqueles que já têm um preconceito forte. Não me fez pensar.

Os Irmãos Grimm. Sessão da Tarde. Divertido, ótimo para crianças, mas poderia ter rendido muito mais, com uma fonte tão boa de histórias como esses irmãos!

Não passei dos primeiros minutos:
Transformers. Piadas de carros e mulheres, mais nada. Filme de menino (nem de homem é).