Ilha do Medo (Shutter Island, 2010)
“O que é pior? Viver como um monstro ou morrer como um homem bom?”
Leonardo DiCaprio fez o que todo galã gostaria de ter feito: parou, pensou e aprendeu a escolher tão bem seus filmes que se tornou o queridinho de ninguém menos que Martin Scorcese. Para quem detestava o loirinho de Titanic, agora não dá para negar que DiCaprio é um dos melhores atores jovens de Hollywood, especialmente para filmes policiais/de suspense.
Depois do romance adocicado no começo da tarde, “Ilha do Medo” não desceu tão fácil. Apesar de não ser um terror cheio de sustos e rostos desfigurados como se poderia esperar pelo título, dá para sair desconcertado. “Ilha” é um suspense psicológico, que discute mais uma vez a questão da loucura (lembra a Ilha do Dr. Moreau no começo, depois O Alienista, depois Clube da Luta), assunto sempre delicado.
Os detetives federais Teddy Daniels (Leonardo DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo) são chamados para encontrar uma paciente fugitiva na ilha onde ficam presos criminosos perigosos com problemas mentais. Isso na década de 50, quando as guerras ainda estavam na memória e no imaginário de todos os personagens. Lá, Teddy passa a suspeitar que o governo americano esteja realizando experiências cirúrgicas com os pacientes, na linha do que os nazistas teriam feito com judeus e outras minorias – coisa que Teddy tinha lutado para combater.
Se você prestar atenção, o filme não é difícil. O final parece deixar uma dúvida, mas na verdade é bem claro. É só querer acreditar, já que Scorcese não nos dá o final que queremos e pelo qual torcemos o filme todo. A resposta que ele dá é a mais racional, enquanto a que queremos é sobrenatural. Certo ele, não? Desaponta um pouco, mas deixa o filme menos óbvio.
O que fica na cabeça depois, além das imagens das criancinhas mortas e das mulheres enigmáticas, é a possibilidade de pensar a loucura como uma escolha até consciente. Como se pode curar alguém que prefere sua vida imaginada?
Conclusão: tenso, mas não imprevisível.
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