domingo, 14 de novembro de 2010

Quarenta mil

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Hoje merece uma pausa no cinema: Norah Jones prometeu e cumpriu seu show gratuito em São Paulo, no Parque da Independência, hoje à tarde.

Para quem, como eu, tinha dúvidas quanto à qualidade de um show gratuito, pode esquecer. O som estava incrível (nítido e alto o suficiente, sem que os instrumentos escondessem a voz), a duração foi ótima (uma hora e meia, mais a abertura) e a organização foi impecável. Mas seria preciso um milagre para acomodar as quase 40 mil pessoas (segundo a UOL) que quiseram ouvir àquele jazz misturado com country que só Norah sabe fazer! Pois, no fim, quase metade ficou para fora.

Sobre a abertura, Jesse Harris era meio desconhecido por aqui, mas conseguiu animar o público com sua simpatia (várias frases em português e bastante humildade). A voz, quase tão fina quanto a do James Blunt, anunciou uma tarde bem à vontade, como foi. Mas o que realmente fez sobrancelhas saltarem foi o percussionista Bill Dobrow: sentado sobre um bumbo (ou algo assim) e com uma baqueta na outra mão (administrando pratos e triângulos), ele foi a banda inteira para Jesse, que tocava a guitarra. Ótimo começo!

Quando Norah entrou, o espaço reservado para o show (que eu, ingenuamente, tinha julgado ser grande demais) já estava lotado e ainda havia fila lá fora. A fila, na verdade, nunca terminou: muitos ficaram lá fora mesmo, pendurados às grades ou atrás do palco, apenas ouvindo a musa. Mas tudo sem violência, muito tranquilo.

As primeiras músicas foram do álbum novo, “The Fall”. O público não cantou junto, mas demorei para descobrir se era por não conhecerem ou por ser um show mais intimista (o que, apesar do tamanho, ele foi). Pois acho que foi um pouco dos dois: em “Don’t Know Why”, a mais famosa por aqui, muita gente cantou – mas só. O clima era mesmo de contemplação, de ouvir um som muito trabalhado (a banda toda tocava mais de um instrumento) e curtir o parque. E por “curtir o parque” incluo até fazer pique-nique com caixa de vinho (caixa, descartável, com uma torneirinha de plástico), queijos cortadinhos e pêras pré-lavadas. Fica a dica! (foram umas moças na minha frente que fizeram isso).

Sobre Norah Jones, nem preciso falar muito: a voz é como no álbum, limpa e rouca, forte e delicada. Sem esforço. Ela, pra minha surpresa, é pequena e parece uma menina! Principalmente agora que cortou o cabelo… Mas é uma mulher muito poderosa: imagine liderar uma banda tão virtuosa como aquela e ainda ser o centro das atenções? Mas, apesar disso, ela parece muito simples. O lado “country” da sua música parece estar nela mesma, no seu jeito de lidar com os colegas (que parecem amigos íntimos) e na sua quase timidez com o público (que diz ter sido o maior para o qual já tocou). Já o lado “jazz” se mostra na sua classe… Ela tem muita classe. Aprendam com ela.

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