As Bicicletas de Belleville (2003)
Um menino órfão é criado pela avó (fofíssima!), que tenta agradá-lo de todas as formas até descobrir sua verdadeira paixão: a bicicleta. A partir daí, o filme faz uma série de sátiras sobre a obsessão dos corredores do Tour de France, comparando-os a verdadeiras máquinas desumanizadas, e também à indústria de entretenimento norte-americana.
A animação francesa tem o charme das ilustrações e a loucura das produções francesas, o que lhe dá um ar bastante estranho, a princípio. Não é todo dia que vemos uma crítica tão ácida ser misturada com passagens nonsense típicas de quadrinhos (o cachorro servindo de roda da van???), como se o simples clima “cult francês” fosse capaz de amarrar tudo. Mas “Bicicletas” estreou bem no festival de Cannes e concorreu ao Oscar em duas categorias (melhor filme de animação e melhor canção original) no seu ano.
A semelhança dos ciclistas com conhecidos meus me faz crer que a crítica é genuína e que há uma mensagem por trás. Mas o que realmente me surpreendeu foi o fato de vários jornais norte-americanos terem se rasgado em elogios à animação, que claramente pinta Disney, Hollywood e MacDonalds como exploradores inescrupulosos das paixões humanas, mostrando-se piores ainda que os já robóticos, porém inofensivos, competidores.
O Escafandro e a Borboleta (2007)
Prepare as lágrimas. O longa francês, que conta a história do editor da Elle que ficou paralisado após sofrer um derrame, é baseado numa história real. Mais do que isso, é baseado no livro ditado por ele durante sua estadia no hospital, quando ele só tinha o controle sobre seu olho esquerdo.
A doença de Jean-Dominique Bauby ficou conhecida como síndrome de “Locked-in” – literalmente, “trancado dentro”. Dentro do próprio corpo, no seu caso, como um escafandro. Mas a mente do editor, considerado um “vegetal” por alguns, continuou funcionando perfeitamente, daí o lado da “borboleta”, ou da imaginação, que permitiu que ele continuasse vivendo, se comunicando e que publicasse seu livro.
Os personagens de apoio neste filme são os responsáveis pelo caráter milagroso da história: uma fonoaudióloga que cria um sistema de códigos para sua comunicação, uma esposa traída, porém presente, um pai amoroso, filhos compreensivos, tudo parece até perfeito demais. Mas viver como um paciente não pode ser perfeito. E o diretor não nos deixa esquecer disso, alternando sempre imagens do ponto de vista dos outros, com o ponto de vista de Jean-Dominique, um campo de visão limitado e frequentemente embaçado pelo cansaço ou o choro.
Não é um filme para um sábado à tarde.
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