domingo, 29 de agosto de 2010

A Origem e o entretenimento puro


O filme mais esperado do ano é um composto de ação, tensão e bons atores _ com um pouco de confusão, para disfarçar. 

"A Origem" tem Leonardo DiCaprio, Ellen Page, Marion Cotillard e uma infinidade de outros rostos conhecidos, o que garante, no mínimo, algum respeito. DiCaprio tem escolhido muito bem os seus filmes, e já se consolidou como um protagonista de "ação psicológica" (daquelas que você vê pelo corre-corre, mas agradece por ter que pensar um pouquinho).

Mas o barulho em cima de "A Origem" foi desnecessário. Ele não é difícil, não explora profundamente o conceito de sonho e não desafia as concepções filosóficas do espectafor, como fez (na minha suspeita opinião) Matrix no seu tempo. É um filme interessante, que te prende do começo ao fim, mas é apenas um filme com algumas camadas a mais de perseguições e conflitos familiares mastigadinhos (para não desviar o foco do que "realmente" importa, que é a corrida contra o relógio).

Vale pelos atores, pela ideia divertida de criar e recriar cenários e por detalhes, como os "amuletos". Mas não repare na tentativa de "deixar as respostas em aberto" da cena final: é boba e clichê.

Vicky Cristina Barcelona, 500 Dias com Ela e uma ou duas coisas sobre o amor

Primeiro, que ele existe. Segundo, que não é bem como as novelas da Globo ou as comédias de Hollywood querem te fazer acreditar.

No último sábado, aluguei Vicky Cristina sem lembrar que era um filme do Woody Allen (e que ele é meu novo preferido, pelos longos discursos existenciais dos seus personagens neuróticos). Pois aluguei _ Barcelona, Scarlett, Penelope, Javier, não tinha como ser ruim! Me espantou que a Penelope só apareça na metade final e já tenha levado um Oscar, mas vamos ao amor.


Com um cenário desses, era de se esperar uma rede de relacionamentos extremamente sensuais. De fato, juntar três beldades numa espécie de triângulo amoroso bem-sucedido (um ménage sem um casal principal) foi uma jogada infalível, mas não foi de graça. Woody nos faz pensar em como vemos o amor de forma rotulada, e não como um sentimento de bem-estar, complitude, carinho e atração, independente da rotina. Depois, numa virada ainda mais esperta, ele questiona também o ideal de "liberdade", que, tanto quanto o "compromisso", pode não trazer a felicidade perfeita.


Outro filme (muito bonitinho, por sinal) que lança alternativas ao bom e velho amor romântico _ tirando o final _ é 500 Dias com Ela (500 Days of Summer). É uma história de amor, que é ao mesmo tempo uma desilusão amorosa. Tudo porque a garota namora o garoto por motivos diferentes e com expectativas diferentes das que ele tem. Onde termina a amizade e começa o amor? O que é presente e o que é futuro; sentimento ou estilo de vida; vontade ou obrigação? Por que rotular, se estava tudo tão óbvio? Por que não (pelo mesmo motivo)?
No final das contas, é mais gostoso pensar no amor como uma comédia romântica, com começo, meio e, principalmente, o final feliz. Mas pode ser mais prático e até mais divertido (porém um tanto solitário) ver o amor como acaso, como um momento de felicidade vivido por duas (ou mais) pessoas, que é tão eterno quanto o "para sempre", mas que pode durar 500 dias, ou um minuto.