sábado, 13 de março de 2010

Nas alturas

Que "Up in the air" recebeu um nome desrespeitoso no Brasil, isso qualquer cinéfilo já percebeu. Mas não cursta repetir: "Amor sem escalas" NÃO é uma comédia romântica!

Por puro acaso, fui assistir sozinha a esse filme. Justamente a esse, que fala não sobre o amor, mas sobre a solidão! Sorte ou azar, o fato é que me coloquei de corpo inteiro na pele do protagonista e saí de lá com uma sensação de "eu te avisei" nada agradável....  Mesmo assim, recomendo a experiência: o filme é inteligentíssimo! (e sempre vale a pena ver o George, mesmo que num papel meio carente...)

Para resumir a história, George Clooney é um profissional que passa mais de 300 dias por ano voando de uma cidade a outra nos EUA, com a única missão de demitir funcionários de chefes que não querem se dar ao trabalho de dar a má notícia - tudo durante a crise econômica mundial. Duas mulheres completam o cenário: uma (Vera Farmiga) é viajante como ele, e torna-se sua "amante casual" entre aeroportos. Já a outra (Anna Kendrick) é uma recém-formada, que revoluciona a empresa com a ideia de tornar todas as demissões virtuais, por conferência.

O resultado é um filme sobre as relações humanas, sobre o conceito de lar e família e sobre fidelidade. O diretor, Jason Reitman, é o mesmo de Juno e de Obrigado por Fumar - interessante, não?

Vá sozinho!

terça-feira, 9 de março de 2010

Imoral

Final de semana regado a festa, espanhol, dança, teatro, Restaurant Week, corrida e mais festa!!

Pois bem....As festas não são postáveis, o espanhol é só um mal necessário e a dança já é rotina! Então vamos ao teatro:

A Alma Imoral, com Clarice Niskier (baseado no livro homônimo de Nilton Bonder) - Entrei no teatro Eva Herz (mínimo, diga-se de passagem) sem saber o que esperar. O encarte, que deveria nos preparar para o simpático encontro com Clarice, mais nos confundia entre tantos elogios e divagações.
Acontece que o tema de fato não é apetitoso: a atriz parte de um sentimento budista (e é isso que difere a peça do livro) para refletir sobre o judaísmo e sobre filosofias, tradições e as desobediências necessárias. Denso, não?
Pois é preciso muito talento e habilidade com as palavras para transformar o que poderia ser um calhamaço insosso numa conversa íntima e bem-humorada com a plateia, e Clarice consegue. A atriz carioca encanta pela sua sinceridade e também pela coragem - não há quem não estremeça ao ver cair o vestido de pano, em pleno palco minúsculo e suficientemente iluminado. Perto demais, para incomodar mesmo! Para mostrar como nosso "corpo moral" ainda tenta sufocar com todas as forças a "alma imoral" que pulsa dentro de cada um de nós...

Vale um bistrozinho depois para refletir!

sábado, 6 de março de 2010

Pé-de-valsa

(post escrito, esquecido e postado uns dias depois)
Acabou o carnaval, voltaram as aulas, voltou a correria, veio a gripe!

Em outras palavras, vou ficar devendo dicas de cinema até pelo menos o próximo fim-de-semana (quando, por acaso, estreia a Ilha do Medo!). Mas, pra não deixar ninguém na mão, tenho uma dica de DVD, que andei alugando nesses dias vazios: Valsa com Bashir é imperdível.


Valsa com Bashir (2008) tem um Globo de Ouro no currículo e não é para menos. Mas quem diabos é "Bashir"?

Pois bem: Bashir Gemayel foi eleito presidente  (cristão) do Líbano em 1982 e morto no mesmo ano, pouco antes de assumir o poder. Como tudo o que "quase é", ele logo tornou-se um mártir da Guerra do Líbano, que se desenrrolava complicadamente entre crístãos libaneses aliados a Israel, e muçulmanos libaneses aliados mais ou menos aos palestinos, refugiados no sul do país.

Bashir não foi nenhum santo: como o próprio filme mostra a todo momento, a guerra foi marcada por massacres, onde os meninos (porque os soldados eram, realmente, muito novinhos) se viam atirando sem nenhum motivo, por puro medo. Como em todo conflito armado, fica difícil dizer quem está do lado de quem, e homens que se pensavam éticos acabam encobertando crimes cometidos diante de seus olhos.

Um filme para quem gosta de guerra e para quem, como eu, acha que não existe coisa mais estúpida nesse mundo. E para quem gosta de animação, com uma pitada de documentário.